segunda-feira, 16 de novembro de 2009


domingo, 15 de novembro de 2009

PRESENTE DO MARIDÃO

http://www.youtube.com/watch?v=swYKvzgiCG8

domingo, 8 de novembro de 2009

Entrelugar:::::::

Realmente, na semana passada me senti como Tom Hanks naquele filme: O Terminal. 


Tom Hanks, como sempre, impecável, é Viktor Navorski, um homem normal que viaja de sua terra natal, a fictícia Krakozhia, para os Estados Unidos. Ao chegar lá, as autoridades americanas se encontram com um grande problema em mãos: enquanto voava, Krakozhia sofreu um golpe de Estado e teve o seu poder tomado, perdendo assim o seu reconhecimento de nação por parte dos EUA. Viktor então é, sem culpa alguma, prejudicado por um grande problema diplomático: não pode voltar ao seu país de origem, já que ele teoricamente não existe mais e está em guerra, e não pode pisar fora do aeroporto pois não tem visto para entrar nos EUA. Sem nada a fazer, ele acaba por tocar a vida para a frente ali mesmo, no terminal do aeroporto (sinopse).


Tomando esse filme como um fio para tecer alguns comentários me pergunto: O que é o aeroporto? Viktor não estava em solo estadunidense quando pisou no aeroporto? Porque ele podia ficar lá e nãos air de lá para ganhar as ruas de Nova York? Qual a diferença de estar num aeroporto e não em plena cidade? Que lugar é esse de passagem, de vidas e correrias? É um lugar? Um "não lugar"? Um "entrelugar"?


Estava presa em um aeroporto e não podia sair. Uma espera sem fim. Claro que não fiquei meses no terminal, mas as 12 horas que parei por lá, me faz pensar sobre os mundos e sobre a vida. O que poderia fazer nessas 12 horas a não ser ler e pensar sobre a vida? Daí surge essa reflexão. Isso é que dá ficar pensando.


Quando somos parte do movimento surdo, sendo ouvintes, muitas questões surgem nesse momento. Questões complexas e ao mesmo simples. Temos mesmo que fazer parte? Não estamos nós, pisando em terreno meio que sem dono como em um aeroporto? Temos "visto" em nosso passaporte para transitar nos mundos e nas línguas sem nenhuma situação prejudicial para qualquer um dos mundos onde se transita?


É algo que tem que ser pensando. As línguas e as culturas misturadas é do querer de todos? 


Percebo que a inclusão, meio que cria esse entrelugar de culturas e vidas. Ora... os surdos têm direitos garantidos por todas as leis e portarias a terem "visto permanente" em nosso mundo. Mesmo que as condições sejam precárias de trânsito, eles podem reclamar que logo saem do terminal e transitam em nossas ruas. Todavia, nós, ouvintes, para entrarmos no mundo deles, devemos negociar. Constantemente negociar um "visto" temporário, que é o máximo que podemos receber para estar lá. Não vou criticar essa postura que é construída historicamente mas dizer que há perdas para ambos os lados.


Para mim que vivia nos dois mundos, ao ser exilada de lá (do mundo dos surdos)... por um tempo fiquei no terminal. Pensando em tudo... porque o que fazemos presos em um terminal aeroportuário é pensar muito. Sobre tudo.


Quando ganhei as ruas daquele que era meu mundo mesmo, não tive dúvidas que tinha feito a escolha correta, mas lá no fundo me bateu uma saudade da minha "Krakozhia surda". Mas sem olhar pra trás, segui minha estrada. Não fiquei no terminal. Não dá pra viver lá. Logo queremos a nossa casa.