quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Aventura em Santa Cruz do Sul no V FEES (só aquele povo maravilhoso pra me fazer ir)

Aventura... essa é a palavra que resolvi utilizar como mote para pensar sobre o V FEES, afinal, sair de Corumbá, no Mato Grosso do Sul para Santa Cruz é uma aventura.

Primeiro, peguei um ônibus de Corumbá, e durante 6 horas de viagem, cheguei em Campo Grande. Depois de 4 horas de espera no aeroporto, peguei um vôo para Porto Alegre passando por Curitiba. Essa é a parte mais fácil.

Daí, uma amiga, me busca no aeroporto meia noite, comemos no Mac Donald´s e vamos dormir um pouco. Acordamos às 5:00 e vamos para a UFRGS pegar o ônibus para Santa Cruz. Cheguei ainda primeiro que gente que mora em Porto Alegre... (risos).

Chego lá e a pergunta que mais me toca: vc veio mesmo? Como tem coragem de tão longe? O que está fazendo aqui?

Respondo: Bom Dia meninas....

Enfim... passo toda a programação encantada com tudo. Aparentemente um fórum comum, mas excelentemente comunal principalmente no quesito encontrar pessoas inspiradoras para escrever aquele monstro chamado tese.

As pessoas fazem o evento. Essa é a verdade. As mesas e as oficinas foram ótimas. Mas as pessoas, bah... são melhores ainda!!!!

Só posso dizer: Parabéns pelo evento. O que mais?

Voltei para minha Corumbá, divisa com a Bolívia, muito feliz. Passei por Campo Grande, fui a um cinema até chegar o horário do ônibus para andar mais 6 horas de viagem.

Mas valeu! Foi perfeito!!!

Valeu Larissa, pela conversa no msn que me convenceu de vez a ir. Foi inspirador.

Lucyenne

segunda-feira, 16 de novembro de 2009


domingo, 15 de novembro de 2009

PRESENTE DO MARIDÃO

http://www.youtube.com/watch?v=swYKvzgiCG8

domingo, 8 de novembro de 2009

Entrelugar:::::::

Realmente, na semana passada me senti como Tom Hanks naquele filme: O Terminal. 


Tom Hanks, como sempre, impecável, é Viktor Navorski, um homem normal que viaja de sua terra natal, a fictícia Krakozhia, para os Estados Unidos. Ao chegar lá, as autoridades americanas se encontram com um grande problema em mãos: enquanto voava, Krakozhia sofreu um golpe de Estado e teve o seu poder tomado, perdendo assim o seu reconhecimento de nação por parte dos EUA. Viktor então é, sem culpa alguma, prejudicado por um grande problema diplomático: não pode voltar ao seu país de origem, já que ele teoricamente não existe mais e está em guerra, e não pode pisar fora do aeroporto pois não tem visto para entrar nos EUA. Sem nada a fazer, ele acaba por tocar a vida para a frente ali mesmo, no terminal do aeroporto (sinopse).


Tomando esse filme como um fio para tecer alguns comentários me pergunto: O que é o aeroporto? Viktor não estava em solo estadunidense quando pisou no aeroporto? Porque ele podia ficar lá e nãos air de lá para ganhar as ruas de Nova York? Qual a diferença de estar num aeroporto e não em plena cidade? Que lugar é esse de passagem, de vidas e correrias? É um lugar? Um "não lugar"? Um "entrelugar"?


Estava presa em um aeroporto e não podia sair. Uma espera sem fim. Claro que não fiquei meses no terminal, mas as 12 horas que parei por lá, me faz pensar sobre os mundos e sobre a vida. O que poderia fazer nessas 12 horas a não ser ler e pensar sobre a vida? Daí surge essa reflexão. Isso é que dá ficar pensando.


Quando somos parte do movimento surdo, sendo ouvintes, muitas questões surgem nesse momento. Questões complexas e ao mesmo simples. Temos mesmo que fazer parte? Não estamos nós, pisando em terreno meio que sem dono como em um aeroporto? Temos "visto" em nosso passaporte para transitar nos mundos e nas línguas sem nenhuma situação prejudicial para qualquer um dos mundos onde se transita?


É algo que tem que ser pensando. As línguas e as culturas misturadas é do querer de todos? 


Percebo que a inclusão, meio que cria esse entrelugar de culturas e vidas. Ora... os surdos têm direitos garantidos por todas as leis e portarias a terem "visto permanente" em nosso mundo. Mesmo que as condições sejam precárias de trânsito, eles podem reclamar que logo saem do terminal e transitam em nossas ruas. Todavia, nós, ouvintes, para entrarmos no mundo deles, devemos negociar. Constantemente negociar um "visto" temporário, que é o máximo que podemos receber para estar lá. Não vou criticar essa postura que é construída historicamente mas dizer que há perdas para ambos os lados.


Para mim que vivia nos dois mundos, ao ser exilada de lá (do mundo dos surdos)... por um tempo fiquei no terminal. Pensando em tudo... porque o que fazemos presos em um terminal aeroportuário é pensar muito. Sobre tudo.


Quando ganhei as ruas daquele que era meu mundo mesmo, não tive dúvidas que tinha feito a escolha correta, mas lá no fundo me bateu uma saudade da minha "Krakozhia surda". Mas sem olhar pra trás, segui minha estrada. Não fiquei no terminal. Não dá pra viver lá. Logo queremos a nossa casa.









terça-feira, 27 de outubro de 2009

Tenho que admitir...

Tenho que admitir. A Carolina tinha toda razão. Ela venceu essa. Meio chato não termos razão, mas ela acertou em cheio. Parabéns Carol!


Estar só não é fácil. Nossa... longe do marido. A gente sobrevive, mas fácil não é.

Fiquei imaginando os surdos. Sim, sempre imagino os surdos né... mas vou explicar o porquê disso.

Um dia, eu e Carol, uma amiga maravilhosa...( depois conto a história de como nos conhecemos... e tenho que dizer que ela é surda porque isso faz toda a diferença na história) estávamos conversando no msn e ela me explicou porque não tentaria um concurso numa cidade do interior que eu divulguei pra ela e julguei que seria interessante ela participar.

Ela me disse que já havia tido a experiência de ficar só e não gostou. Sem amigos, sem o amor, ficava rondando pra lá e pra cá sozinha. Sem conversar, que era terrível. Claro que eu, totalmente petulante, disse a ela que achava que ela deveria tentar. Ela bateu o martelo.

Eu sosseguei.

Daí, precisei experimentar pra crer. Imagina, estou em uma cidade pequena e sem o maridão. Sem conversar... eu sem conversar... (não é a toa que estou escrevendo um blog) Fico rondando pra lá e pra cá dentro do próprio quarto. Eu, sem shopping, sem cinema... sem teatro... só comendo, estudando e dormindo. E claro, conversando no MSN e agora escrevendo um blog, a tese e inúmeros artigos. Bom pra mim...mas conversar... me faz falta. Por isso adoro a universidade... mas voltar pra casa... é um tédio. Ficaria na universidade o dia inteiro e a noite inteira. Corro atrás de aulas: “ei, alunas, tem aula sobrando? O professor fulano vai dar aulas hoje? Porque quero as aulas dele e tal.”

Entendo porque os surdos adoram conversar. É muito bom. As mãos ágeis no ar... sinto falta de falar em Libras... no blog só escrevo em português.

De qualquer forma, só escuto Carol dizendo: Viu, não falei... imagina para o surdo...
É verdade Carol... bem que vc disse. E olha que achei que era coisa de surdo. Será que tenho um pouco de
surda? Ih... lá vai eu com essa história de novo...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ser surda, ser ouvinte...

Bom, já quis ser surda mesmo sendo ouvinte. Engraçado porque para a sociedade é bem mais comum surdos quererem ser ouvintes. Mas eu já quis...

Ser filha de surdos me colocou nesse barco. Sendo surda, não precisaria interpretar né... mas eu tb achava o máximo ter que interpretar. Nossa, é viver mesmo na fronteira de duas realidades.

De qualquer forma, recentemente me coloquei nessa situação. Na época em que fazia mestrado, achava o máximo os surdos que faziam. Até me envolvi com algumas que ficaram minhas amigas até hoje.

Pois bem, me via num esforço tremendo de tentar me encaixar, de ser como elas. Tinha algo a meu favor: sempre fui bilíngue e de berço tive a Libras em minha vida. Então, óbvio, fazia Libras que quando conhecia um surdo, imediatamente ficava orgulhosíssima de mim com o elogio: parece surda... como pode ser ouvinte?

Pois é, como poderia ser ouvinte? Bom... eu meio surda e meio ouvinte... não poderia negar jamais: sou ouvinte.

E percebi isso da pior forma possível: o exílio!

Fui exilada na primeira oportunidade do mundo surdo. Eu que achava que meu visto era permanente... mas... era provisório! que golpe!

Com o exílio, assumi meu mundo, meu país. E, como disse a uma amiga, solicitei que meus pais (surdos) escondessem meu passaporte. Não quero, por enquanto voltar no outro mundo. Nem posso né...

Acabei aceita nesse.

Golpe vital! Definição, identidade e vida. Escolhi esse caminho.

Pais surdos...

Essa semana, meus pais vieram me visitar em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Caramba! Pais são pais em qualquer lugar, tudo bem. Mas pais surdos... aí sim... tem especificidades.

Veja bem, fomos a Bolívia. Gente, como eu poderia convencer meu pai que ele não poderia comprar o tal "super computador" de última geração que tava barato lá? "Pai, seu cartão é do banco do estado. Ele funciona de Presidente Kennedy a Pedro Canário". "Mas meu banco é melhor"... "Pai, por favor, não passa. Estamos em outro país". "Como passou no Paraguai?" "Lá vc comprou no VISA". "Não a mulher tá errada. Faz de novo. Vc tem vergonha? Como pode? Vc é mestrado e doutorado e papai é zero grau? Papai 'puw'(som associado ao sinal de 'melhor do que') vc".

Bom, a discussão durou. E depois disso, já a beira de um ataque de nervos,tive que ouvir até a cidade onde estávamos o quanto o banco era incompetente, a loja era incompetente, vai brigar com o gerente e ele vai comprar lá na Bolívia, não quer nem saber...

Mas olha, na verdade nós, filhos de surdos, somos os piores intérpretes de nossos pais. Estamos com todos os nervos envolvidos. Não são os sentimentos, são os nervos.

Uma outra vez que me recordo, meu pai estava (tadinho dele) com a vesícula bem inchada. Precisava passar por uma cirurgia. Daí, ele foi até minha casa para que eu conversasse com o médico que no mês anterior ele já havia operado o joelho. Estava arrasado porque teria que passar de novo por uma cirurgia. Bom fui com ele e o médico me disse da urgência da cirurgia e tal. Fui explicar a meu pai e ele não aceitava de jeito nenhum. "Não, papai não quer". "Mas pai, vc precisa... vai suporar e vai piorar". "Não, papai não quer. Fala com médico." Então eu decidi: "doutor, pode levar. Ele vai fazer a cirurgia.".

Bom, péssima intérprete, boa filha. O que saio ganhando com isso? Um pai agradecido hoje, e claro, emputecido com a intérprete sem ética...

Realidades Paralelas

Hoje eu fiquei com vontade de escrever no blog. Fiquei com vontade de refletir sobre as práticas que me apetecem.

Estou aqui, longe, bem longe da minha terrinha, ouvindo Elis Regina e pensando em realidades paralelas. Pensando se eu não fosse professora de Surdos, se eu não fosse professora o que eu seria. Não consigo imaginar o que seria. Não consigo pensar se seria outra coisa.

Por exemplo eu tentei pela primeira vez vestibular para Psicologia. Será que eu seria psicóloga? Ou melhor, psicóloga de surdos? Caramba, eu amo ser professora... nem sabia! Nem me imagino outra coisa...

Bom, eu me lembro que já quis ser surda. Mas ser surda? Caramba... como seria ser surda? Eu tinha vontade... eu já até imitei trejeitos surdos...

Enfim, percebo que não sou surda, sou professora e sou bilíngue. Massa né... Quem teve a oportunidade de nascer numa família de surdos? Isso é muito legal. Super diferente... E ter pais surdos... há... isso é outra história. Para outra postagem.

Valeu.